As Pontes de Madison
04/05/2009A memória armazena dentro de nós o significado daquilo que fizemos. Frequentemente não estamos mais na presença objetiva das coisas, mas dentro de nós carregamos para sempre aquilo que vivenciamos. E quando nos entregamos, quando realmente reconhecemos a importância de determinados eventos, experiências, emoções dentro do nosso ser e do nosso destino, aquilo é um tesouro que carregamos e que nos ilumina. Nos dá para sempre a razão de ser desta grande viagem da vida.
Clip com bixinhos
22/04/2009Dizem as más e boas linguas da publicidade que se você estiver sem idéias para um comercial é só colocar um bebê fofo ou um bichinho que ele fará sucesso. Prova disso é comercial clássico da Parmalat, que marcou nossa geração usando bebês vestidos de mamíferos – irresistivel.
Gostou?
Comecei a lembrar disso, na verdade, vendo um clipe do Weezer, dica do Gu, e percebi que o truque do bichinho não é usado somente por publicitários. No clipe Island in the Sun, dirijido pelo Spike Jonze em 2004, a banda usa diversos animaizinhos fofos. Como se a música por si só já nao fosse irresistível.
(clique 2 vezes no clipe pois a incorporação foi desativada).
Radio Kanastra
31/03/2009Charmoso. Essa foi minha definição do novo programa produzido pela Kana Filmes a pedido do Fiz TV.
Profundos conhecedores de música, os karas fizeram uma sequencia de 8 programetes com direito a apresentador, vinheta e cenário – um mais charmoso e criativo que o outro – cada um dando uma aula de bons sons e histórias.
Abaixo, coloco o link para o blog que tem os 2 primeiros programas, dicas e sons pra baixar. Pra quem ama música e criatividade não tenho dica melhor. (e reparem na foto de viadinho na parede. o cenário by Aninha é demais)
Baixa lá: http://radiokanastra.wordpress.com/
02/03/2009
“Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila. Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta Tenho amigos para saber quem eu sou. Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que “normalidade” é uma ilusão imbecil e estéril. ”
Oscar Wilde
De volta à tribo
28/02/2009Ultimamente ando numa onda muito boa de sentir que o lugar onde estou é o melhor do mundo.
Pra maioria de vcs já expliquei minha teoria sobre onde fica a alma dentro do corpo. Ainda vou fazer um post só sobre isso, mas, pra resumir, é embaixo do pulmão, no lugar onde sentimos angustia e que a gente cobre cruzando os braços pra nos protegermos de uma situação de insegurança, timidez ou frio. Ou onde a gente sente um friozinho quando está apaixonado ou ansioso.

veja ilustração para entender onde fica a alma (estrela vermelha na barriga do lula)
A volta ao Brasil, depois de um ano longe mergulhada em outras culturas, fez com que pela primeira vez eu conseguisse enxergar São Paulo de um ponto de vista de fora. Na chegada me impressionei com a umidade do ar, a quantidade de verde (acreditem!), o brilho no olhar das pessoas, sua simpatia e calma. Foi uma sensação parecida com sair de São Paulo e ir pro Rio, ou Salvador. Uma prova de que tudo depende do ponto de vista.
Mas o mais louco foi que a reação emocional e física gerada pelo contato com a terra onde nasci e cresci, ascendeu um foguinho interno no “chacra do eu”. Uma calorzinho gostoso, gerado pelo encontro com pessoas que amo, pelo clima e vindo de dentro de mim. Meu sangue indio circulou mais forte, fazendo ôla com a volta ao pedaço de terra que a ele pertence.
Pra comemorar, mando um vídeo da Rita Lee, a verdadeira miss São Paulo, cantando Baila comigo na RAI italiana. Musica que certamente foi gerada por chama interna que só surge em território brasileiro.
Se Deus quiser
Um dia eu quero ser índio
Viver pelado
Pintado de verde
Num eterno domingo
Ser um bicho preguiça
Espantar turista
E tomar banho de sol
Banho de sol!
Banho de sol!
Sol!…Se Deus quiser
Um dia acabo voando
Tão banal assim
Como um pardal
Meio de contrabando
Desviar do estilingue
Deixar que me xingue
E tomar banho de sol
Banho de sol!
Banho de sol!
Banho de sol!…Baila Comigo!
Como se baila na tribo
Baila Comigo!
Lá no meu esconderijo
Ai! Ai! Ai!
Baila Comigo!
Ah! Ah! Uh! Uh!
Como se baila na tribo
Oh! Oh! Baila ba, ba
Baila Comigo!
Lá no meu esconderijo…Se Deus quiser
Um dia eu viro semente
E quando a chuva
Molhar o jardim
Ah! Eu fico contente
E na primavera
Vou brotar na terra
E tomar banho de sol
Banho de sol!
Banho de sol!
Sol!…Se Deus quiser
Um dia eu morro bem velha
Na hora “H”
Quando a bomba estourar
Quero ver da janela
E entrar no pacote
De camarote…E tomar banho de sol
Banho de sol!
Banho de sol!
Banho de sol!…
Intuição, minha religião
18/02/2009My intentions are good, I use my intuition
It takes me for a ride
But I never understood other people’s superstition
It seemed like suicide
And as I play the game of life
I try to make it better each and every day
And when I struggle in the night
The magic of the music seems to light the way
Intuition takes me there
Intuition takes me everywhere
Well my instincts are fine
I had to learn to use them in order to survive
And time after time confirmed an old suspicion
It’s good to be alive
And when I’m deep down and out and lose communication
With nothing left to say
It’s then I realize it’s only a condition
Of seeing things that way
Intuition takes me there
Intuition takes me everywhere
Naná vai casar
16/02/2009A Naná sempre teve muito peito. Não fisicamente. Fisicamente acho que ela é tamanho médio. Mas a alma dela é a Pamela Anderson das almas..
A Naná sempre teve peito de expressar sua opinião, por mais polêmica que fosse. Companheirona de terceiro colegial, ela peitava comigo dos rolês arriscados perto do Santa à inauguraçao de livro no Conjunto Nacional que eu escasquetava em ir. E ainda cantava no fim da “festa”.
Cantora, ela nunca teve medo de soltar sua linda voz. Pra platéia que fosse. Da “Janela Lateral” pra Clau, “a Fe vai pra California” pra sereia, “Socorro” pra Ju, fazendo as amigas dormirem no Farol, os velhinhos do Paulistano bailarem que nem niños, encarando o palco do Traço de União ou brilhando no Baretto. Ela teve peito de ser cantora, por mais que seja carreira sem estagio ou carteira assinada.
Quando se apaixonou, se jogou de corpo e alma. Não teve medo de ser “escrava da paixão”. Enfrentou as barreiras que todo relacionamento longo enfrenta. Mas sempre fez o que acreditava. Sem medo de fazer diferente do padrão e nem aí pra opinião alheia.
E seguindo seus instintos, sem medo de fazer escolhas, as sementes que ela plantou com o coração estão florescendo. Ano que vem a Naná vai casar. Primeira da turma. Ninguém mais corajoso pra abrir este caminho inexplorado. E tenho certeza de que ela vai achar a trilha mais florida de todas, porque as leoas conhecem bem a selva.
E que venha o buquê…
Pedido de casamento Eu sei que a gente ia ser feliz juntinho Pra todo dia dividir carinho Tenho certeza de que daria certo Eu e você, você e eu por perto Eu só queria ter o nosso cantinho Meu corpo junto ao seu mais um pouquinho Tenho certeza de que daria certo Nós dois sozinhos num lugar deserto Se você não quiser Me viro como der Mas se quiser me diga, por favor Pois se você quiser Me viro como for Para que seja bom como já é Eu sei que eu ia te fazer feliz Dos pés até a ponta do nariz Da beira da orelha ao fim do mundo Sugando o sangue de cada segundo Te dou um filho, te componho um hino O que você quiser saber eu ensino Te dou amor enquanto eu te amar Prometo te deixar quando acabar Se você não quiser Me viro como der Mas se quiser me diga, meu amor Pois se você quiser Me viro como for Para que seja bom como já é
Chorare
15/02/2009A chuva é o céu chorando. O choro é tempestade no coração. Choro desesperado com soluço e grito é tempestade com raio e trovao. Depois do choro vem o alívio. O céu abre e a luz volta nos olhos de quem chorou.
A música a seguir, tambem dos Novos Baianos, combina com dia seguinte de choro, de noite de tempestade, quando a alma tá lavada, a cara inchada e a terra molhada – e as abelhinhas passam fazendo zum-zum pro recomeço.
Gosto dessa versão do Arnaldo, tio da Mi. A voz dele de algodão é voz de abraço, voz de conforto de pai e mae quando fazem carinho e dizem que a chuva vai passar.
Nome dos babys? Faça como a Baby.
14/02/2009Agora que as amigas já estão casando já temos que começar a pensar nos nomes dos pimpolhos. Se vc é uma mulher descolada, colorida e exótica, suas dúvidas se acabaram com o gerador de nomes da Baby Consuelo.
Pra quem não conhece, a Baby era a cantora dos Novos baianos, junto com o marido Pepeu Gomes e o Moraes Moreira. Eles moravam numa comunidade, estilo de vida completamente hippie, livre… Seus filhos se chamam Sarah Sheeva, Zabelê, Nana Shara, Kriptus Rá Baby, Krishna Baby e Pedro Baby.
A música com certeza vcs mais que conhecem – tão lembrando? encerramento do Ouriços, Caraíva… e vejam eles novinhos nos anos 70.
Última moda em Paris
14/02/2009Última moda em Paris? Assistir ao Cidade de Deus indiano Slumdog Millionaire e dançar a trilha sonora, da M.I.A.: a letra é stupid, mas que ritmo!!!!! Não tem como não dançar:
New Soul
14/02/2009Meninas, vocês vão gostar dessa música!! (Cáca. acho que é sua cara).
Afinal, o que somos senão almas novas, que caímos de pára-quedas nesse mundo. E vamos aprendendo o que é verdadeiro, falso, a dar, a reeber, vamos errando e acertando… Isso a gente e todo mundo – até o Bush, por exemplo, nada mais é que um menino de ontém, que de repente se viu com muito poder nas mãos e teve que fazer escolhas. Ninguém sabe de nada. Tá todo mundo aqui aprendendo! E a música é fofa, boa pra trazer paz pro dia, ouçam…
I’m a new soul I came to this strange world hoping
I could learn a bit ’bout how to give and take.
But since I came here felt the joy and the fear
Finding myself making every possible mistakeI’m a young soul in this very strange world
Hoping I could learn a bit ’bout what is true and fake.
But why all this hate?
Try to communicate finding
Just that love is not always easy to make.This is a happy end cause’
You don’t understand
Everything you have done
Why’s everything so wrongThis is a happy end
Come and give me your hand
I’ll take your far away.
Mobilização por o que?
09/02/2009Nunca, mas nunca, despreze o poder das redes sociais. No Facebook, a mais popular delas, não param de aparecer grupos que agitam mobilizações coletivas (flashmobs). Teve um que combinou um dia em que ninguem entraria no site. Mobilizou 1 milhao e meio de pessoas. Isso pra mostrar quem é que manda.
O ultimo deles saiu do mundo virtual e “causou” na cidade mais controlada do mundo. Inspirado numa propaganda da T-mobile (que não para de passar na TV na Inglaterra) onde milhares de pessoas dançam numa estaçao de metro, cada um sua própria musica, no seu celular, o pessoal resolveu imitar a propaganda.. Combinaram pelo site um encontro na estação Liverpool Street, em Londres. Foi tanta, mas tanta gente, que a estação ficou completamente bloqueada. Fez sucesso, o pessoal amou, e o próximo já esta marcado: essa sexta, às 7 hs, na Trafalguar Square. Eu não vou nem amarrada.
Po, a gente podia criar uma mobilização mais legal, por alguma coisa que fizesse sentido… Antigamente os revolucionários tinham que distribuir panfletinho pessoalmente, daí entendo não fazer, maior trabalho. Hoje é só criar um flashmob – e ele viralizar. Vamo? Fico esperando idéias.
Bjs
O homem certo
07/02/2009Ela era a mais liberada de todas; sentava no bar com um bando de homens e falava com eles como igual. Igual, no caso, significa: como se fosse um homem.
Contava suas aventuras – que eram muitas – com quem tinha terminado a noite anterior e se por acaso seu príncipe encantado da véspera chegasse, as piadas rolavam soltas, entre gargalhadas. Raramente saía com o mesmo homem dois dias seguidos, o que em plena era da revolução sexual era considerado apenas o máximo. Isso é que era uma mulher liberada. Mas um dia, no bar onde a galera se reunia, surgiu um personagem novo, que era amigo de alguém. Ela contou suas histórias, fez suas gracinhas e todo mundo riu muito. Todo mundo, menos ele.
Não que tivesse se colocado na posição de repressor; simplesmente ouvia, mas sem achar muita graça nem dar corda para que ela fosse mais e mais em frente. Às vezes baixava a cabeça, levantava os olhos e olhava para ela, mas não com desejo; era um olhar perturbador, e ela ficou perturbada.Eles conversaram pouco, mas ela logo sentiu que aquele número com ele não colava, e nessa noite foi embora mais cedo. Mais cedo e sozinha.Eles se encontraram outras noites , sempre por acaso, mas nunca ficaram amigos; e apesar de ele olhar para ela com mais frequência e com mais intensidade, ela nunca estimulou a paquera, e nunca mais arrastou um homem para casa na madrugada. Não quando ele estava.Até que uma noite as pessoas foram indo embora, e quando ela percebeu, estavam só os dois na mesa. Foi-se a desenvoltura, foram-se as barbaridades, foi-se a mulher livre. Ele contou um pouco de sua vida e perguntou da dela, interessado em descobrir a mulher que estava por trás do personagem – coisa que não acontecia havia muito tempo; e ela se sentiu como havia muito tempo não se sentia. Uma pessoa por quem alguém se interessava, não apenas a que chegava aos lugares para alegrar a noite dos outros. Foi tudo tão forte que ele não fez nenhum esforço para ficar com ela essa noite, e ela deu graças a Deus; preferiu ir para casa sozinha para poder pensar, coisa que não fazia havia séculos.Eles foram se vendo mais, sumindo dos lugares, e ela começou a viver outra vida; afinal, há quanto tempo nenhum homem levava ela a sério, olhava dentro dos seus olhos e sorria, em vez de dar uma risada? Ela foi mudando, mas sem saber direito o que estava acontecendo. Adoraria perguntar se estavam namorando ou tendo um caso, mas isso não é pergunta que se faça.Mas uma noite estavam num restaurante e entraram uns amigos, aqueles do passado. Sentaram, brincaram, riram, mas não foram além de nenhum limite. E houve uma hora em que ele botou a mão em cima da perna dela. Foi um gesto de posse, como quem diz ”essa mulher tem dono”, o que todo mundo entendeu.A partir desse dia eles passaram a ser considerados como um casal. Ninguém nunca mais pensou em chamar um sem chamar o outro, e ela mudou. Não que tivesse ficado uma chata – longe disso; ria das barbaridades que diziam, mas nunca mais fez um só comentário sobre sua vida passada ou presente. Nem ela nem ninguém.
Ela ficou mansinha; mansinha, como fica uma mulher que se apaixona pelo homem certo.E eles foram muito felizes enquanto deu.
A hospedaria
07/02/2009

Uma professora de yoga em Londres sempre lia lindos textos no fim da aula, quando já estávamos de corpo e alma alongados.
Gosto muito deste, que foi escrito pelo poeta sufista Rumi, no século XIII, mas que é lindo até hoje. Os ensinamentos do Rumi são atemporais, pois falam de sentimentos humanos, que independem de época, nacionalidade ou religião. (ou seja, talvez seu cachorro não entenda, mas seu bisneto com certeza entenderá)
A Hospedaria
Ser humano é como ser uma hospedaria
onde todas as manhãs há uma nova chegada.
Uma alegria, uma depressão, uma mesquinharia,
uma percepção momentânea chega,
como visitantes inesperados.Acolha e distraia a todos!
Mesmo se for uma multidão de tristezas,
que varrem violentamente sua casa
e a esvaziam de toda a mobília,
mesmo assim, honre a todos os seus hóspedes.Eles podem estar limpando você
para a chegada de um novo deleite.
O pensamento escuro, a vergonha, a malícia,
receba-os sorrindo à porta, e convide-os a entrar.Seja grato a quem vier,
porque todos foram enviados
como guias do além.
Casiokids
04/02/2009Não é a primeira vez que isso me acontece: ir num show e gostar mais da banda de abertura, que nem conhecia, que da grande atraçao.
Sabado passado no Bataclan, casa de shows clássica de Paris, show do Of Montreal, foi assim. Quem abriu o show foi a norueguesa Casiokids.
Acho que o nome vem daqueles teclados Cassio, lembram? Toda criança “descolada” nos anos 90 tinha um teclado. Eles tocando, me lembraram minha prima Bia fazendo um som no seu. Eu, pelo menos, dancei como se tivesse 8 anos.
A pérola do Mion
26/01/2009Garanto que seu dia vai ficar mais feliz depois de (voltar a) rir MUITO com o mais clássico dos “Piores Clipes do Mundo”.
Impressionismo
26/01/2009
- Será que os impressionistas eram míopes?
- Olha, não sei, mas o crítico de arte que tinha 6 graus de miopia criou polêmica, chamando os quadros do Monet de realistas.
Quem sente muito, cala
23/01/2009“Reeeeeee, po, por que fico à vontade com todo mundo e bem quando estou com ele – que eu mais amo – eu travo ?????”, ela desabafa, virando uma taça de vinho.
O fado explica:
“O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p´ra ela,
Mas não lhe sabe falar.Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há-de dizer.
Fala: parece que mente…
Cala: parece esquecer…Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
P´ra saber que a estão a amar!
Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente! “
Meu maior medo
21/01/2009Meu maior medo? Chegar no fim da vida e sentir o que essa moça (ex-moça) canta no fado. A música mais triste e mais sábia que já ouvi…
“Volta atrás vida vivida
Para eu tornar a ver
Aquela vida perdida
Que nunca soube viverVoltar de novo quem dera
A tal tempo, que saudade
Volta sempre a primavera
Só não volta a mocidadeA vida começa cedo
Mas assim que ela começa
Começamos por ter medo
Que ela se acabe depressaO tempo vai-se passando
E a gente vai-se iludindo
Ora rindo ora chorando
Ora chorando ora rindoMeu Deus, como o tempo passa
Dizemos de quando em quando
Afinal, o tempo fica
A gente é que vai passando“
Little Joy, bom de ouvir
20/01/2009O bom de trabalhar na Jungle, era que como a revista é a principal representante da cultura brasileira em Londres, o Juliano Zappia, editor-chefe, é um pára-raio de novidades: tudo chega nele primeiro.
Foi ele quem me mostrou o som do Little Joy quando a banda ainda era um segredinho no my space.
Passei uns 4 dias seguidos com as músicas no repeat, espalhando loucamente o link por email, pra todo mundo que eu conhecia. Não acreditava que tinham criado um ritmo tão gostoso de ouvir.
E pelo jeito não estou sozinha: li no blog da Kana e no da Carol que os ingressos pro show tão esgotados. Não tinha como não pegar: sonzinho tranquilo energia boa.
A Fabi e o fado
19/01/2009Foi num jantar aqui em casa, que depois de muita bebida a Fabi, uma amiga querida, portuguesa dos Açores, me virou com aquele sotaque: “Renata, se tem uma maneira de se cantar as saudades, essa maneira é o fado.”

Fabi
Curiosa pra entender porque as pessoas amam tanto esse ritmo, fui assistir ao filme “Fados”, do espanhol Carlos Saura. O filme é uma dedicaçao de amor ao ritmo que nasceu no século XVIII e influencia artistas contemporâneos em Portugal e nas colônias. Do Brasil mostra o Chico, Caetano e o mala do Tony Garrido.
E como é lindo (o fado, nao o Toni Garrido)!!!!! Não sei se é porque estou com saudades, mas pirei nas palavras portuguesas, nas letras tristes e no jeito sofrido com que eles cantam, do fundo do coraçao. Cada fado é uma liçao sobre a vida, o amor e a amizade.
Separei esse vídeo, com a Lila Downs, uma artista mexicana, interpretando “Foi na travessa da palha”. A letra é demais, da mulher que sooooofre traída pelo amante canalha:
“Foi na Travessa da Palha
Que o meu amante, um canalha,
Fez sangrar meu coraçao:Trazendo ao lado outra amante
Vinha a gingar petulante
Em ar de provocaçao.Na taberna de friagem
Entre muita fadistagem
Enfrentei os seus rancores,Porque a mulher que trazia
Com certeza nao valia
Nem sombra do meu amor.A ver quem tinha mais brio
Cantamos ao desafio
Eu e essa qualquer.Deixei-a perder de vista
Mostrando ser mais fadista
Provando ser mais mulher.Foi uma cena vivida
De muitas da minha vida
Que nao se esquecem depois,Só sei que de madrugada
Após a cena acabada
Voltamos para casa os dois.”
Clique e compre o CD com a trilha sonora (mãe, eu quero!)
The Streets
18/01/2009Quando decidi ir pra Inglaterra pedi pro meu irmao lindo que sabe tudo de música me mostrar umas bandas britânicas.
Ele fez uma seleçao, e desde lá me apaixonei por The Streets, do Mike Skinner. Adorei o rap dele e principalmente o sotaque bem inglês, de Birmingham.
O sonho de ve-lo ao vivo se realizou no meu ultimo mes la, num show na Roundhouse em Camden, graças ao Sé.
Post pra uma amiga
15/01/2009Uma amiga ta naquelas fases de crise, em que a gente questiona profissao, identidade, escolhas passadas, futuras, tudo. Nessa fase parece que ta tudo errado – a vida fica em preto e branco.
Coincidência ou nao, hoje acordei com uma palestra de filosofia no radio (só na França mesmo) e aprendi o seguinte com o cara:
A insatisfaçao faz parte da essencia do homem. Ainda bem, pq é isso que empurra a humanidade pra frente: quando as pessoas nao estao contentes com o presente é que elas se movem pra tentar mudar, certo? Ou seja amiga, crise todo mundo tem e é positivo – te faz mudar e evoluir.
O ponto é como lidar com a crise: Quando estamos na lama, se a gente fica desesperado e em panico, muito ansioso pra sair dessa – o desespero faz a gente afundar mais ainda na areia movediça.
O que ele recomenda é a “insatisfaçao pacifica”: a aceitaçao da situaçao de crise. O individuo deve respirar fundo (recomendo meditaçao) e pensar calmamente “OK, essa é minha situaçao, tenho X, Y, Z opçoes. Essa nao da, essa tb nao, ok a B”. A insatisfaçao pacifica é infinitamente mais poderosa, pois ajuda a ver as coisas com clareza.
Acho também que entre as opçoes deve ser colocada a opçao “nao fazer nada, relaxar e esperar passar”. Ensinaram pra gente que temos livre arbitrio e que é a gente que controla nossa vida – o resultado é um bando de gente deprimida que se sente culpada por nao ser 100% feliz… Mas nao é – o presente é resultado de milhares de forças que a gente nao controla. Nosso pensamento (que move nossas escolhas) é gerado por sentimentos que a gente nao controla! Por isso acho que as vezes é melhor relaxar e deixar a vida levar um pouco. Parar de achar que ta td nas nossas maos.
Afff! como é dificil escrever filosofia.. melhor ouvir meu conselho na musica abaixo. E relaxa, nao se preocupa porque jaja a crise passa e seus olhinhos voltam a brilhar de novo, tenho certeza.
Como diria minha grande amiga Re W: “a vida é uma roda gigante com uma poça de lama embaixo: quando estamos na lama parece que nunca vamos sair, mas sai. E quando estamos la em cima, td lindo, pode ter certeza que vai baixar de novo.”
(ou “quando casar sara”, como diria meu pai pra me deixar mais puta ainda!)
Com açucar, com afeto
14/01/2009Em homenagem a playlist de duetos homem-mulher que as dons ouviam, lembram?
Meu primeiro Buñuel
13/01/2009Vim pra Paris atras de cultura. Sortuda, quando abri a porta do ap que aluguei pela Internet nao acreditei quando me deparei com prateleiras lotadas de classicos da literatura e uma coleçao de DVDs com Polanskis, Godards e Bergmans, todos inéditos pra mim.
Ontem peguei Los Olvidados, do Bunuel.

Buñuel, um gato, que adorava uma biritinha
Fala dos meninos de rua na cidade do México, anos 50 – ja avisa no começo que é uma história real baseada em personagens reais. É daqueles filmes que falam sobre a desigualdade social colocando como personagens principais os geralmente “esquecidos” pela sociedade (tipo Cidade de Deus, dos Homens, Pixote..) mas achei legal o realismo do filme, sem cliches e personagens totalmente bons ou maus. Todo mundo humano.
Até o “Ojitos”, que é um fofo e da vontade de embrulhar e levar pra casa, sente vontade de matar o velhinho cego (que nao é nenhum santo) no final. Humano.
Ao mesmo tempo tem pitadas surrealistas muito loucas, tipo a do sonho, que lembra mesmo um Dali, ex-amigo e parceiro do Bunuel.
O filme é feito pra incomodar, mas achei interessante, que ao contrario dos nossos filmes atuais sobre o tema, o responsavel pelo Internato pra onde o muleque é mandado (que seria hj em dia mostrado com uma “Instituiçao corrompida” ) é um cara legal – e usa um metodo com o menino que funciona: pra provar que ele nao está numa prisao, ele dá uma nota de 50 e pede para ele ir pra rua comprar cigarros pra ele. Justifica dizendo que cada criança tem uma necessidade – aquele menino precisa de “um voto de confiança e um pouco de carinho”. E ele estava certo.
Surpresa 2, foi ver nos Extras uma outra versao do final, que acaba bem, mostrando que até o provocador Bunuel tinha um pezinho no final feliz. Humano.
Abaixo a cena surrealista do sonho, minha preferida (clica 2 vezes pq a incorporacao desativou nao sei pq – essas coisas de blog sao estranhas):
Viagem a Cythera
11/01/2009
Watteau, The Embarkment for Cythera, 1717
O pintor francês Watteau era o grande intérprete do refinamento das elites francesas do século XVIII antes da revolução. Apesar de não ser muito fã de rococó, adoro a história desse quadro.
A ilha grega de Cythera era considerada pela mitologia grega a terra natal da Aphrodite, a deusa do amor – e virou metáfora pro começo de um love affair. No século XVII, o pessoal refinado ao invés de convidar seu amado pro motel o convidava para um passeio em Cythera – nao é lindo?
No quadro, todo o processo de seduçao, do flerte à Cythera, está descrito da direita pra esquerda:

detalhe
Veja à direita o rapaz xavecando a moça e ela olhando pro leque, fazendo charme. No meio ele a convence, e muito cavalheiro a ajuda a levantar. No passo 3, à esquerda, eles se dirigem à fila da embarcaçao que leva à ilha do amor.
Assim como eu, Boudelaire ficou inspirado ver este quadro e escreveu um poema que está no “As flores do Mal”:
Un Voyage à Cythère
Mon coeur, comme un oiseau, voltigeait tout joyeux
Et planait librement à l’entour des cordages;
Le navire roulait sous un ciel sans nuages;
Comme un ange enivré d’un soleil radieux.
Quelle est cette île triste et noire? — C’est Cythère,
Nous dit-on, un pays fameux dans les chansons
Eldorado banal de tous les vieux garçons.
Regardez, après tout, c’est une pauvre terre.
— Île des doux secrets et des fêtes du coeur!
De l’antique Vénus le superbe fantôme
Au-dessus de tes mers plane comme un arôme
Et charge les esprits d’amour et de langueur.
Belle île aux myrtes verts, pleine de fleurs écloses,
Vénérée à jamais par toute nation,
Où les soupirs des coeurs en adoration
Roulent comme l’encens sur un jardin de roses
Ou le roucoulement éternel d’un ramier!
— Cythère n’était plus qu’un terrain des plus maigres,
Un désert rocailleux troublé par des cris aigres.
J’entrevoyais pourtant un objet singulier!
Ce n’était pas un temple aux ombres bocagères,
Où la jeune prêtresse, amoureuse des fleurs,
Allait, le corps brûlé de secrètes chaleurs,
Entrebâillant sa robe aux brises passagères;
Mais voilà qu’en rasant la côte d’assez près
Pour troubler les oiseaux avec nos voiles blanches,
Nous vîmes que c’était un gibet à trois branches,
Du ciel se détachant en noir, comme un cyprès.
De féroces oiseaux perchés sur leur pâture
Détruisaient avec rage un pendu déjà mûr,
Chacun plantant, comme un outil, son bec impur
Dans tous les coins saignants de cette pourriture;
Les yeux étaient deux trous, et du ventre effondré
Les intestins pesants lui coulaient sur les cuisses,
Et ses bourreaux, gorgés de hideuses délices,
L’avaient à coups de bec absolument châtré.
Sous les pieds, un troupeau de jaloux quadrupèdes,
Le museau relevé, tournoyait et rôdait;
Une plus grande bête au milieu s’agitait
Comme un exécuteur entouré de ses aides.
Habitant de Cythère, enfant d’un ciel si beau,
Silencieusement tu souffrais ces insultes
En expiation de tes infâmes cultes
Et des péchés qui t’ont interdit le tombeau.
Ridicule pendu, tes douleurs sont les miennes!
Je sentis, à l’aspect de tes membres flottants,
Comme un vomissement, remonter vers mes dents
Le long fleuve de fiel des douleurs anciennes;
Devant toi, pauvre diable au souvenir si cher,
J’ai senti tous les becs et toutes les mâchoires
Des corbeaux lancinants et des panthères noires
Qui jadis aimaient tant à triturer ma chair.
— Le ciel était charmant, la mer était unie;
Pour moi tout était noir et sanglant désormais,
Hélas! et j’avais, comme en un suaire épais,
Le coeur enseveli dans cette allégorie.
Dans ton île, ô Vénus! je n’ai trouvé debout
Qu’un gibet symbolique où pendait mon image…
— Ah! Seigneur! donnez-moi la force et le courage
De contempler mon coeur et mon corps sans dégoût!
— Charles Baudelaire
Veja esse quadro ao vivo no Louvre.
Acorde em paz
11/01/2009Disso nunca vou me esquecer. Bahia, familia, hora de acordar. Meu irmao, mr. kana filmes lançou um Velvet, Sunday Morning. O ritmo perfeito pra se espreguiçar, lavar o rosto, abrir a janela pra luz do sol e acordar em paz…
Joan Mitchell
11/01/2009Numa esposiçao com as obras da coleção Berardo no Palais du Luxembourg, uma artista me tocou. Joan Mitchell nasceu em 1925 nos States e morreu em Paris, em 1992. Sua pintura é classificada como “expressionismo abstrato” . Em muitos de seus quadros, como no Lucky Seven, ela expressava as emoçoes provocadas pela natureza. Por isso seus quadros são tão lindos, cheios de cores. Pra mim, ver aquilo foi como mergulhar em uma cachoeira. E suas obras têm todas uma cara de inacabadas, refletindo sua percepçao sobra vida: o desfecho está em aberto – tudo pode acontecer.

Joan Mitchell, 1962 - Coleção Berardo
Publicado por ladylop 

